terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

piegas, piegas

Depois do almoço (durante o qual nunca tomo nada) e depois de uns golinhos de água, era sempre a mesma coisa. O gosto de doce surgia, não sei bem dizer de onde, em minha boca, e minha aflição só era curada quando eu matava aquela vontade - com no mínimo um generosíssimo pedaço de torta.
O tão-aguardado-momento passava sempre rápido - eu comia apressada e ansiosamente, sem dar a cada um dos pedacinhos de qualquer coisa cheia de açúcar que fosse a sobremesa da vez o devido valor. Acabava sempre com a sensação de que "cabia mais um pouquinho..."
Já que tenho gastrite a mais de um ano, Não sei bem explicar o porquê de as coisas, ultimamente, não serem mais assim. Depois do almoço (durante o qual ainda não tomo nada) e depois de muitos goles de água, me vejo agora muito mais satisfeita do que costumava me sentir. O gosto de doce não se manifesta tão vivamente em minha boca, e, quando mesmo assim saio à procura daquela sobremesa especial, é por escolha, e não pela necessidade que costumava sentir.  

Me espanta o quanto não consigo me sentir desse jeito em relação a você. Não importa quantas sessões de análise, quantas aulas de Yôga e quantas caminhadas eu faça pela cidade me declarando autossuficiente: quando o assunto é você, surge aquele gosto na boca, aquela aflição que precisa ser suprida, e, além de nunca sentir que aproveitei nosso tempo juntos suficientemente, saio sempre querendo muito, muito mais.

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