segunda-feira, 5 de setembro de 2011

reflexões em banheiros alheios

Escovar os dentes faz parte daquele grupo de atividades banais que acabamos, eventualmente, fazendo "no automático". Eu procuro, mesmo assim, nunca permitir que isso aconteça.
Odeio não prestar atenção no que estou fazendo, seja lá o que for, e no meu ponto de vista, escovar os dentes devagarzinho, cuidadosamente e tendo certeza que você limpou todos os cantinhos possíveis é essencial. Hoje, no entanto, às 4 da tarde em frente ao espelho de um banheiro que não era o meu, não estava exatamente conseguindo me focar.
Observando meus cílios e meu rímel borrado no espelho, eu tinha é me perdido por um momento, pensando aleatoriamente sobre como, sob o ponto de vista biológico, o homem é um animal engraçado que criou um artifício para alongar e realçar alguns de seus pelos ao mesmo tempo em que se viu bem satisfeito com a descoberta de tecnologias para acabar definitivamente com outros.
A força aplicada na minha escova de dentes, em um dado momento, acabou se desviando para onde não devia, e quando machuquei minha gengiva percebi que minha reflexão sobre a humanidade, seus diferentes tipos de pelos e a maneira com que cada um deles é visto não era apropriada para o momento.
De volta à minha boca, escovando aqui, ali do lado, lá atrás e procurando ignorar o fato da minha gengiva estar doendo, acabei, e eu não entendo como, me perdendo de novo.
A humanidade voltou à tona a meus pensamentos, mas, dessa vez, pelos não estavam envolvidos. Num momento meio rebelde-sem-causa, me vi meio revoltada com todo mundo, pensando naqueles paradigmas ridículos que impedem muitas vezes que façamos o que realmente queremos.
Terminei de escovar os dentes, peguei minha bolsa e chamei o elevador. Andando na rua num dia de sol, com fones nos ouvidos, minha mente relaxou. Andei até minha escola de Yôga, de onde saí, depois de duas horas de prática, mais leve e mais esclarecida das ideias.

Tanto leis quanto regras explícitas e implícitas estão presentes em nossas vidas, nos impondo o tempo inteiro uma realidade que não necessariamente deveria ser real. Às vezes, como enquanto escovava meus dentes hoje à tarde, paro e me pergunto até que ponto vai de fato a nossa tão-aclamada liberdade. Me cansa perceber quanta gente por aí anda fazendo coisas certas porque "tem que fazer", não fazendo o que quer porque "não pode".
Pensei no quanto tanto minha vida como as das pessoas que convivem comigo seria melhor se nada disso existisse; se pudéssemos, em vez de seguir regras como um bando de burros, usar nosso bom-senso e inteligência para fazer nossas decisões.
Não defendo de maneira alguma a anarquia.
Mas o que está acontecendo com as pessoas? Quando é que tudo ficou assim tão preto-e-branco?
Tudo isso me faz pensar em tanta coisa.
Soluções para aquelas relações problemáticas entre pessoas, para brigas familiares, para atitudes que "não conseguem ser mudadas", momentos nervosos desnecessários e para essa história de descriminalização da maconha pareceram de repente brotar em minha cabeça.
Eu posso salvar o mundo.

E é então que eu percebo, lembrando da quantidade absurda de açúcar que comi ontem à tarde procurando consolar um momento de pura auto-piedade: quem sabe o máximo que eu posso fazer é salvar a mim mesma.

6 comentários:

  1. sua fã numero 1 curtiu o texto! açucar é sempre bom, e quando se pesa 10 kg que nem voce, é bacana!! bejoca nos rinss

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  2. Essa é a minha BONITINHA!!! E ah, adorei vevitcha!

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  3. Paradoxo: a primeira regra geral das penes é "faça o que der vontade" mas se der vontade de desobedecer esta regra, então você deixou de cumpri-la? hahahahahaha

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  4. Vc escreve cada vez melhor!!! :-)
    Beijos

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  5. EU LI (:
    vevis, você é meu orgulho!

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